Carta de um professor aos seus alunos: O espelho e o querer
28 julho 2026 às 16h37

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Por: Fernando Maciel Vieira
Queridos alunos, aqui é o professor Fernando Maciel Vieira.
Neste momento, no fechamento de mais um ciclo, quero fazer um convite a cada um de vocês: olhem-se no espelho. Percebam o que está sendo refletido após esses dois bimestres em que estivemos juntos nessa jornada pelo conhecimento. Gostaria que, de verdade, você e eu olhássemos para além da superfície. O que habita no nosso reflexo?
Peço que olhe com carinho, mas também com profunda atenção. Encontre-se nessa imagem. Ali estão as suas lutas, as suas quedas, as coisas maravilhosas que você construiu, mas também aquilo que precisa ser revisto. Pare um pouco. Reflita sobre como foram as nossas aulas. Quantas coisas poderiam ter sido melhores? Quantas palavras poderiam ter sido ditas de outra forma? É justamente nessa pausa que percebemos a beleza da borracha: o poder sagrado de apagar, recomeçar e tentar de novo, até aprender ou acertar.
Quero que saibam de algo: quando a aula termina e eu me vejo a sós com os meus livros e conteúdos, eu sempre me pergunto o que eu poderia ter feito a mais, ou melhor. E é com essa inquietação que entro na sala seguinte, lutando para ser um pouquinho superior ao que fui ontem. Eu sou um professor que acredita no trabalho duro, na disciplina, no “aprender fazendo” — mesmo quando os recursos nos faltam. Por isso cobro tantos trabalhos, tantas perguntas, tantos textos.
Tenho uma fé inabalável no ser humano. Sei que, quando desafiado, o estudante reclama, mas avança. E, ao avançar, ele descobre que as barreiras existem para ser ultrapassadas. Ninguém, absolutamente ninguém, tem o direito de ditar o limite da sua potencialidade. Romper o casulo, esforçar-se e fazer acontecer depende unicamente de cada um de vocês. E, a cada pequena vitória, celebrem! Percebam a potência que mora aí dentro.
Mas preciso ser sincero: é nas derrotas e nos erros que mais descobrimos quem somos e como podemos fazer diferente. Somos humanos, somos limitados, mas carregamos a capacidade de realizar coisas brilhantes.
Sei que para um jovem de Paranã, no interior, estudar às vezes parece algo sem sentido, quase uma loucura. Mas peço que acreditem na escola e no que ela tem a oferecer. Ela não entrega apenas matérias; ela entrega superpoderes. Ferramentas para decifrar um mundo que, lá fora, parece uma bomba prestes a estourar a qualquer momento. Saber ler o mundo e interpretá-lo; entender o próprio corpo e suas reações; conhecer os fenômenos da natureza; compreender como a sociedade se move — e perceber que ela pode ser um campo minado; aprender, acima de tudo, a ser tolerante. Esses são os seus superpoderes.
Mas para que essa mágica aconteça, há uma condição essencial: você precisa QUERER.
Sem a sua disposição de aprender, nenhum esforço meu adiantará. O “querer” é um botão que só se ativa pelo lado de dentro. Ninguém pode apertá-lo por você. Só você tem esse poder.
Agora, as férias chegaram. Vamos aproveitar, fazer o que gostamos e conjugar os verbos mais necessários do momento: descansar, dormir, comer e viver. Mas, entre um instante de descanso e outro, pense em como você pretende retornar para a escola. Volte com o “módulo querer” ativado. Pronto para aprender, acreditar e fazer.
Sei que não sou perfeito. Por isso, peço desculpas pelas minhas falhas e por qualquer coisa que tenha passado do ponto. Mas tenham a certeza absoluta de que a minha luta diária é para construir, junto com vocês, o verbo aprender.
Boas férias. Descansem . E voltem prontos.
