A abstenção ficou próxima de 20% nas últimas três eleições gerais realizadas no Tocantins. Nas disputas de 2014, 2018 e 2022, entre 195 mil e 207 mil eleitores deixaram de comparecer às urnas no primeiro turno. No período, o Estado passou pelas eleições de Marcelo Miranda, Mauro Carlesse e Wanderlei Barbosa para o governo e viu o eleitorado crescer até chegar aos 1.182.307 aptos a votar neste ano.

Em 2014, 195.295 eleitores não foram às urnas, o equivalente a 19,60% do eleitorado considerado na votação. O comparecimento ficou em 801.084 pessoas. Naquele ano, Marcelo Miranda (PMDB) venceu a disputa pelo Governo do Tocantins no primeiro turno.

Quatro anos depois, a abstenção subiu para 207.625 eleitores, ou 19,97%. A eleição geral de outubro de 2018 deu a Mauro Carlesse um mandato de quatro anos no Palácio Araguaia, com Wanderlei Barbosa como vice. Carlesse recebeu 404.484 votos.

A disputa de outubro ocorreu poucos meses depois de uma eleição suplementar provocada pela cassação de Marcelo Miranda e Cláudia Lélis. Carlesse também havia vencido aquele pleito extraordinário, mas a votação suplementar não integra esta comparação. O recorte considera apenas as eleições gerais, realizadas no calendário nacional, para permitir a comparação entre 2014, 2018 e 2022.

Em 2022, a ausência nas urnas recuou. Foram 202.609 eleitores que não compareceram, o equivalente a 18,55%. Outros 889.580 foram votar. Wanderlei Barbosa, que havia sido eleito vice na chapa de Carlesse quatro anos antes e assumiu o governo após a renúncia do titular, venceu a eleição para governador no primeiro turno, com 481.496 votos, ou 58,14% dos votos válidos.

A variação da abstenção foi pequena ao longo das três eleições gerais. O maior percentual ocorreu em 2018, com 19,97%, e o menor em 2022, com 18,55% — uma diferença de 1,42 ponto percentual. Em números absolutos, o contingente de ausentes permaneceu acima de 195 mil nos três pleitos.

O eleitorado, por outro lado, cresceu. Em 2018, o Tocantins tinha 1.039.439 eleitores aptos e chegou a 1.094.003 em 2022. Para as eleições deste ano, o cadastro definitivo reúne 1.182.307 pessoas. São 88.304 eleitores a mais em quatro anos. Do total de 2026, 86% estão sujeitos ao voto obrigatório.

A sequência das três últimas eleições gerais mostra, portanto, um eleitorado em expansão sem uma alteração de mesma intensidade na taxa de comparecimento. Marcelo Miranda venceu em 2014, Carlesse em 2018 e Wanderlei em 2022, mas em todas essas disputas uma parcela próxima de um quinto dos eleitores aptos ficou fora da votação.