Sem Célio, pressão por vaga do PT na Câmara recai sobre Salomão
18 agosto 2026 às 08h23

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A desistência de Célio Moura (PT) da disputa pela Câmara dos Deputados retira da Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) um de seus candidatos com maior votação recente e aumenta o peso eleitoral de José Salomão (PT), que deixou a Prefeitura de Dianópolis neste ano para concorrer a deputado federal.
Célio recebeu 36.186 votos em 2022, quando tentou a reeleição para a Câmara, e era tratado pelo próprio PT como candidatura prioritária em 2026. Ex-deputado federal, ele comunicou nesta segunda-feira, 17, que deixará a eleição diante das condições de saúde da mulher, Magda, que passa por tratamento oncológico, e das próprias limitações físicas decorrentes de um acidente sofrido em 2021.
A saída altera a composição de uma chapa que tenta conquistar uma das oito cadeiras do Tocantins na Câmara. Além de Salomão, permanecem entre os candidatos do PT Alaor do Sacolão, Emillii da Anu, Narubia Werreria e Vilela do PT. Pelo PV, a federação tem Alice Jorge e Avanilson Karajá. Célio deixa justamente a lista com o desempenho eleitoral mais expressivo comprovado na eleição anterior entre os nomes apresentados.
A mudança atinge diretamente a estratégia de Salomão. Prefeito de Dianópolis por quatro mandatos, ele renunciou ao cargo em março, nove meses antes do fim da gestão, para disputar uma cadeira na Câmara. Com Célio fora da eleição, o ex-prefeito passa a concentrar parcela maior da expectativa do PT para alcançar votação suficiente na disputa proporcional.
O desafio não depende apenas dos votos recebidos por Salomão. Na eleição para deputado federal, as cadeiras são distribuídas de acordo com a votação obtida pelos partidos e federações, considerada a soma dos votos dados aos candidatos e à legenda. Por isso, a retirada de um candidato que recebeu mais de 36 mil votos quatro anos atrás tem efeito sobre o potencial eleitoral do conjunto da chapa, ainda que o desempenho de uma eleição não possa ser simplesmente reproduzido na seguinte.
A desistência também revelou divergências internas. Na carta em que anunciou a decisão, Célio disse ver “com tristeza” o momento do PT no Tocantins e afirmou que o debate de ideias perdeu espaço para “divergências internas e isolamentos”. Também escreveu que princípios estariam sendo deixados de lado por narrativas que afastam o partido de suas raízes.
O PT evitou responder às críticas na nota divulgada sobre a desistência. O partido concentrou a manifestação na situação familiar do ex-deputado, declarou “irrestrito apoio” a Célio e Magda e reconheceu que a candidatura dele era considerada prioritária no Estado.
Célio afirmou que permanecerá na atividade política e declarou apoio à reeleição do presidente Lula. “Não estou me despedindo da política”, escreveu.
