A desistência de Lázaro Botelho (PP) da disputa pela Câmara dos Deputados acrescenta força não apenas à candidatura do vereador Lucas Campelo (Republicanos), que recebeu o apoio do ex-deputado federal, mas também à chapa montada pelo partido para a eleição proporcional. O Republicanos reúne nomes considerados competitivos e trabalha com a possibilidade de conquistar três das oito cadeiras destinadas ao Tocantins.

Lázaro anunciou nesta segunda-feira, 17, que não seguirá como candidato e declarou apoio a Lucas. A adesão tem peso pela trajetória do ex-deputado, que acumulou mandatos na Câmara e construiu ao longo desse período relações com prefeitos, ex-prefeitos, vereadores e outras lideranças municipais. O efeito eleitoral dependerá de quanto desse grupo acompanhará Lázaro no apoio ao candidato do Republicanos.

Lucas já estava entre as principais apostas do partido para deputado federal. Vereador de Araguaína, ele conta com o apoio da maioria dos vereadores da Câmara Municipal e busca sair da eleição com uma das maiores votações da cidade. A chegada de Lázaro acrescenta à candidatura uma liderança que também tem sua trajetória política ligada a Araguaína e ao norte do Tocantins.

O Republicanos ainda tem na disputa o deputado federal Ricardo Ayres, candidato à reeleição; o ex-secretário estadual da Educação Fábio Vaz, nome ligado diretamente ao grupo do governador Wanderlei Barbosa; e o empresário Alfredo Júnior. Com vários candidatos capazes de alcançar votações expressivas, o desafio da legenda não está apenas em eleger seus principais nomes, mas acumular votos suficientes na chapa para alcançar o quociente necessário para uma terceira cadeira.

Lázaro estava na chapa da Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, que mantém entre seus principais nomes Janad Valcari e Jair Farias. Também estão na disputa Coronel Barbosa e Luana Nunes, filha da prefeita de Gurupi, Josi Nunes. A saída do ex-deputado representa uma baixa na composição, mas deixa a federação ainda com dois nomes que estão entre suas principais apostas para alcançar até três vagas na Câmara.

O ex-deputado chegou a exercer mandato na atual legislatura, iniciada em 2023, mas deixou a Câmara após a retotalização dos votos das eleições de 2022 determinada pela Justiça Eleitoral. A nova distribuição das cadeiras beneficiou Tiago Dimas, que assumiu a vaga. Lázaro havia chegado ao mandato pela composição dos votos da chapa, apesar de Tiago ter recebido votação nominal superior.

Fora da disputa direta em 2026, Lázaro muda de posição na corrida proporcional: deixa de disputar votos por uma chapa e passa a trabalhar pela eleição de Lucas em outra. Para o Republicanos, o ganho está justamente nessa combinação. O partido não acrescenta um concorrente interno, mas um ex-deputado com capital político próprio trabalhando por um dos candidatos que já figuravam entre suas principais apostas para ajudar a chapa a chegar à terceira cadeira.