A repercussão da morte de Gustavo Veloso Feitosa, de 3 anos, em Palmas, ultrapassou as fronteiras do Tocantins e mobilizou familiares de vítimas de crimes que marcaram o país. O pai de Henry Borel, Leniel Borel, e a mãe de Isabella Nardoni, Ana Carolina Oliveira, manifestaram indignação nas redes sociais e defenderam punição rigorosa aos responsáveis pela morte da criança.

Em publicação nas redes sociais, Leniel Borel afirmou que o caso representa mais uma tragédia envolvendo uma criança que deveria estar protegida: “A morte do pequeno Gustavo Veloso Feitosa, de apenas 3 anos, em Palmas, é mais uma ferida aberta no coração do Brasil. Que tudo seja rigorosamente esclarecido e que a Justiça atue com firmeza. Proteger nossas crianças é dever de todos. Justiça por Gustavo.”

Henry Borel morreu aos 4 anos, em março de 2021, após sofrer agressões no apartamento onde vivia, no Rio de Janeiro. O caso resultou na criação da Lei Henry Borel, que fortaleceu os mecanismos de proteção de crianças e adolescentes vítimas de violência doméstica.

Em vídeo publicado nas redes sociais, Ana Carolina Oliveira, mãe de Isabella Nardoni, disse que o caso de Gustavo reúne diversos alertas que precisam ser debatidos pela sociedade e pelas autoridades. Ela citou os vídeos divulgados anteriormente, nos quais o menino aparece chorando e afirmando que não queria ir para a casa do pai porque era agredido.

“Essa mãe grava um vídeo de um menino pequenininho chorando, implorando para não ir e afirmando que o pai batia nele.”

Ana Carolina criticou a aplicação da Lei de Alienação Parental, ao afirmar que mães acabam receosas de denunciar situações de violência por medo de serem acusadas de afastar os filhos do outro genitor: “Essa mãe teve que mandar o filho para não entrar na Lei de Alienação Parental. Para que essa lei serve? Só para favorecer abusadores e agressores. Essa história prova exatamente isso.”

Ela também lamentou que, assim como ocorreu com sua família, a violência tenha partido de quem deveria proteger a criança: “Quem deveria proteger foi quem tirou a vida dessa criança. Punição é pouco para o que ele deve pagar. A culpa que essa mulher vai carregar por anos e anos da vida dela é de cortar o coração. Todo mundo se comoveu com essa história. Não tem quem não fale sobre esse menininho.”

Assim como nos casos de Henry Borel, morto em 2021, e Isabella Nardoni, assassinada em 2008, ambos por pessoas do próprio núcleo familiar, seu pai e madrasta.

Prisão preventiva

A prisão preventiva de Igor Gustavo Veloso de Souza, pai de Gustavo e Kathellen Moreira, a madrasta, foi decretada pela Justiça e cumprida pela Polícia Civil nesta quinta-feira, 6.

O caso ganhou grande repercussão após o laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontar que Gustavo morreu em decorrência de hemorragia interna e externa provocada por múltiplas agressões, descartando a versão inicial de afogamento apresentada pelo pai. O exame também apontou lesões graves, e a investigação apura indícios de violência sexual.