Uma operação da Polícia Federal (PF), determinada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), foi realizada na tarde desta quinta-feira, 24, no gabinete do desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). O magistrado é citado em mensagens analisadas pelos investigadores em conversas que envolvem o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques e o banqueiro Daniel Vorcaro. Os investigadores chegaram ao gabinete às 15h52.

A ação é um desdobramento da apuração instaurada pela Corregedoria do CNJ sobre processos sob responsabilidade do desembargador relacionados aos precatórios do setor sucroalcooleiro. Tecnicamente, o procedimento é uma Correição Extraordinária, voltada à fiscalização e auditoria. Durante a operação, serão verificados processos armazenados nos computadores e outros documentos.

Na segunda-feira, 21, o Metrópoles revelou, em coluna de Andreza Matais, que a PF havia encontrado um contrato de advocacia no valor de R$ 427 milhões com a chamada “Turma do KN”. O pagamento seria realizado em caso de êxito em ações de interesse de Daniel Vorcaro nos tribunais superiores, com potencial de destravar R$ 8,5 bilhões em precatórios. Segundo as mensagens analisadas pela PF, a sigla “KN” faria referência ao ministro Kassio Nunes Marques.

O contrato e as mensagens estão em um HD encaminhado pela Polícia Federal, em julho, ao gabinete do ministro do STF André Mendonça, relator do Caso Master. Na última semana, os ministros Cristiano Zanin, Flávio Dino e Gilmar Mendes solicitaram acesso à íntegra do material, diante de suspeitas de que Mendonça teria concentrado a análise em menções ao ministro Alexandre de Moraes e deixado de lado referências a outros integrantes da Corte. Mendonça nega ter direcionado a investigação.

As mensagens também mostram que assessores de Vorcaro utilizavam a expressão “turma do KN” para se referir ao desembargador Newton Ramos, do TRF-1, e à mulher dele, a advogada Camilla Ramos. Conforme os diálogos, Newton repassava a Vorcaro pedidos atribuídos a Kassio Nunes, como uma solicitação de hospedagem no hotel Fasano, além de atualizá-lo sobre o andamento das discussões relacionadas aos precatórios.

Conversas interceptadas pela PF no celular de Daniel Vorcaro indicam ainda que o banqueiro articulou a hospedagem de um “ministro” identificado como “KN” durante o Carnaval de 2025. Para os investigadores, o beneficiário seria o ministro do STF Kassio Nunes Marques.

De acordo com os diálogos, a mansão escolhida para acomodar o ministro pertencia ao ator global Márcio Garcia. O imóvel é avaliado em R$ 250 milhões, possui sete suítes, 6 mil metros quadrados e vista para o mar nas proximidades da Pedra da Gávea. A reserva do local custou cerca de R$ 1,45 milhão.