Presidente da Associação Brasileira de Ensino de Jornalismo defende uso responsável da IA na formação de jornalistas
23 abril 2026 às 14h16

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Nesta semana acontece o 25° Encontro Nacional de Ensino de Jornalismo (ENEJor) em Brasília, com a presença da presidente da Associação Brasileira de Ensino de Jornalismo (Abej), professora Marluce Zacariotti da Universidade Federal do Tocantins (UFT). A pesquisadora defende que os avanços das tecnologias de inteligência artificial (as IAs) e da desinformação impõem às faculdades de jornalismo a necessidade de potencializar uma formação humana baseada em crítica e ética.
No evento em Brasília, ela defende que é fundamental que os cursos de jornalismo estabeleçam parcerias para reafirmar o papel da extensão no processo de ensino e aprendizagem. “É preciso entender que a gente vive nesse novo universo. Fechar as portas para isso é estar distante também dos nossos alunos”, disse Zacariotti.
Em entrevista com a Agência Brasil, a pesquisadora comentou que a formação e a profissão passam por momentos que pedem reflexão e ações. Para ela, a formação não deve abrir mão de trabalhar a pesquisa jornalística e as metodologias de verificação de dados. A professora defende que as tecnologias devem potencializar essas atividades, mas que é preciso que seja reforçado o papel humano do fazer jornalístico.
Ela ainda defende que os pesquisadores não devem olhar para as novidades de forma apocalíptica. “É preciso olhar e entender que são ferramentas que a gente precisa saber usar da melhor maneira possível. É não negar, mas aproveitar o potencial que elas podem ter para nos ajudar”, comentou.
Para ela, há alunos também sem entender como fazer a utilização dessas ferramentas e que o diálogo com os alunos é fundamental para a busca de soluções. “É um caminho no qual não podemos abrir mão para o fortalecimento perante a sociedade. É preciso investir em educação midiática, a literacia midiática a fim de explicar para o público sobre o ecossistema mediático”, disse.
Zacariotti ainda argumentou que os pesquisadores avaliam que as grandes corporações midiáticas são as big techs (gigantes de tecnologia) e não mais os veículos tradicionais. “Se antes a gente falava de impérios midiáticos, agora lidamos com forças um pouco mais ocultas porque a gente está lidando com algoritmos”, disse. A professora também comenta que a formação na profissão deveria priorizar aspectos presenciais, pois “o jornalismo é uma atividade coletiva, que exige a troca. É sempre muito difícil imaginar como fazer isso totalmente online”.
