Faltando menos de um mês para o início das convenções partidárias, as principais pré-candidaturas ao Governo do Tocantins chegaram a momentos distintos na montagem das chapas. Vicentinho Júnior (PSDB) já transformou a escolha em campanha ao percorrer o Estado ao lado de Amélio Cayres (MDB). No grupo de Dorinha Seabra (União Brasil), a vaga continua vinculada às negociações com o governador Wanderlei Barbosa e o Republicanos. Para Laurez Moreira (PSD), a definição deverá ajudar a dar identidade à aliança firmada com o PT e aproximar sua candidatura do eleitorado de esquerda. Já Ataídes Oliveira (Novo) tende a buscar um nome alinhado ao discurso liberal e de gestão que sustenta sua pré-candidatura.

A presença de Amélio mudou a dinâmica da pré-campanha tucana. Ao aceitar dividir o projeto, o presidente da Assembleia levou consigo uma estrutura política construída ao longo de dois mandatos no comando do legislativo, influência sobre parlamentares e acesso a regiões onde Vicentinho tinha presença mais restrita. Nos bastidores, ainda há quem avalie que Amélio abriria mão de um espaço institucional mais poderoso do que a própria vice-governadoria. Ainda assim, a movimentação transmite uma mensagem que os adversários ainda não conseguiram reproduzir: a de uma chapa que já atua como equipe.

Do outro lado, a vaga de vice continua sendo um ativo em negociação. No grupo da senadora Dorinha Seabra (União Brasil), a definição passa diretamente pelo governador Wanderlei Barbosa e o Republicanos, partido que ele comanda no estado. Entre aliados, há consenso de que a indicação ficará com a silga. O nome do secretário da Juventude e Esportes, Atos Gomes, é tratado como a preferência do governador, embora ainda não exista definição. A escolha dirá menos sobre o perfil do vice e mais sobre o tamanho do espaço que Wanderlei pretende ocupar na campanha e em um eventual governo comandado por Dorinha.

A situação do vice-governador Laurez Moreira (PSD) é diferente. A aliança com o PT resolveu parte da engenharia eleitoral, mas abriu outra frente: a necessidade de consolidar um discurso capaz de dialogar com um eleitorado de esquerda que nunca foi sua base política. É nesse ponto que a vaga de vice ganha peso. Nos bastidores, cresce a avaliação de que um nome ligado ao campo progressista — e, preferencialmente, uma mulher — ajudaria a dar identidade ao palanque formado por PSD e PT, mais do que simplesmente ampliar tempo de televisão ou acomodar partidos.

No Partido Novo, o ex-senador Ataídes Oliveira ainda mantém a composição em aberto. A tendência é que o escolhido acompanhe o perfil da candidatura: alguém identificado com a defesa de um Estado mais enxuto, gestão inspirada na iniciativa privada e distante das forças políticas tradicionais. A vaga tende a funcionar como extensão do discurso, não como instrumento de acomodação partidária.

A exceção fora dos principais blocos está na Federação PSOL-Rede, que já oficializou a advogada Lúcia Viana como pré-candidata a vice na chapa encabeçada por Witer Naves. A definição atende mais à identidade política da federação do que à necessidade de costurar alianças, já que a chapa nasce com um perfil programático claramente definido.

Até aqui, as vagas de vice ajudam a explicar o estágio de cada pré-campanha. Vicentinho usa o posto para demonstrar organização e presença de chapa. Dorinha preserva o espaço para acomodar o principal aliado da coalizão. Laurez busca alguém capaz de dar tradução eleitoral à aliança com o PT. Ataídes procura coerência com o discurso que pretende levar às urnas. Em cada grupo, a vaga passou a cumprir uma função diferente: organizar um projeto, acomodar uma aliança, dar identidade política a uma candidatura ou reforçar um discurso eleitora