Laurez perde tração e vê espaço ocupado antes de consolidar candidatura
27 abril 2026 às 18h40

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A pré-candidatura do vice-governador Laurez Moreira atravessa um momento de retração política após uma sequência de movimentos que reduziram sua margem de articulação. O quadro mais visível está na capital, onde ele não conseguiu atrair a ex-prefeita Cinthia Ribeiro para o seu campo, apesar de sinais anteriores de aproximação.
Cinthia chegou a indicar, em mais de uma ocasião, disposição para discutir uma composição majoritária com o vice-governador. A movimentação ganhou corpo com a filiação do deputado estadual Eduardo Mantoan, marido da ex-prefeita, ao PSD, partido comandado por Laurez. Ainda assim, as conversas não avançaram. A decisão de Cinthia de permanecer no PSDB, legenda que já abriga a pré-candidatura de Vicentinho Júnior, inviabilizou, na prática, qualquer composição direta com o vice-governador.
A perda desse ativo político tem peso específico. Cinthia mantém presença eleitoral relevante em Palmas, principal colégio do estado, e sua permanência no PSDB reforça outro polo da disputa, justamente aquele que passou a ocupar o espaço que Laurez tentava consolidar.
Mudanças e sinais no entorno
No plano interno, a troca recente da agência de marketing adicionou ruído à pré-campanha. No meio político, o movimento foi interpretado como sinal de ajuste em um projeto que ainda não encontrou formato estável. Não se trata de fato isolado, mas de mais um elemento em um conjunto de indefinições.
A composição proporcional também perdeu densidade. A saída do ex-governador Mauro Carlesse do projeto de federal, com migração para uma disputa ao Senado, deixou a chapa sem um nome de maior envergadura eleitoral. Entre interlocutores, há avaliação de que, nas condições atuais, o grupo não apresenta nomes com capacidade clara de puxar votos para a Câmara.
Alianças que não ampliam
Na majoritária, Laurez mantém ao seu lado o senador Irajá Abreu e o próprio Carlesse. São alianças que garantem estrutura e tempo de campanha, mas que não têm produzido, até aqui, ampliação evidente do campo político.
No caso de Carlesse, o histórico recente — afastamento do governo, renúncia sob processo de impeachment e prisão posterior — mantém o nome cercado de resistência em parte do eleitorado. Já Irajá agrega base partidária, mas não altera de forma decisiva o desenho da disputa.
Espaço ocupado por outro adversário
Enquanto Laurez tenta ajustar sua posição, Vicentinho Júnior avançou na ocupação do espaço oposicionista à senadora Dorinha Seabra, nome apoiado pelo grupo do governador Wanderlei Barbosa.
Vicentinho entrou na disputa depois, mas conseguiu estruturar alianças e narrativa que o colocaram como principal contraponto à candidatura governista. Esse movimento reposicionou o eixo da disputa e reduziu o protagonismo inicial de Laurez.
Hipótese de recuo entra no radar político
Diante desse cenário, cresce nos bastidores a leitura de que o vice-governador pode enfrentar dificuldades para sustentar competitividade até o fim do ciclo. Uma das hipóteses ventiladas no meio político é a de recuo da disputa majoritária, com eventual reposicionamento estratégico para 2028.
Nesse desenho, Laurez poderia se alinhar a um dos polos já estruturados, Dorinha ou Vicentinho, e reorganizar sua base mirando uma nova disputa municipal em Gurupi, onde já exerceu dois mandatos como prefeito.
Por ora, o movimento não é público. Mas a sequência de baixas, somada à dificuldade de ampliar alianças, colocou a pré-candidatura em um ponto de inflexão no início da corrida.
