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Medidas buscam garantir a mobilidade da população e minimizar os impactos do desabamento da ponte Juscelino Kubitschek

Uma força-tarefa foi criada para acelerar a identificação e a liberação dos corpos das vítimas do desabamento parcial da ponte Juscelino Kubitschek, que conecta os estados do Tocantins e do Maranhão. A operação, fruto de uma parceria entre a Secretaria da Segurança Pública do Tocantins e a Prefeitura de Tocantinópolis, resultou na instalação de um Núcleo de Medicina Legal avançado no aeroporto da cidade.
No local, uma equipe especializada composta por um perito oficial médico, peritos criminais, agentes de necrotomia e papiloscopistas trabalha nas buscas. O chefe do Núcleo de Medicina Legal de Tocantinópolis, Hydelgardo Henrique Martins Costa, explicou a estrutura montada: “São duas tendas, uma para os familiares e outra para as equipes onde faremos o trabalho de identificação e liberação dos corpos. É o mínimo que poderíamos fazer para aliviar a angústia dessas pessoas e possibilitar que elas possam em breve, velar e sepultar seus entes queridos”, declarou.
O secretário da Segurança Pública, Wlademir Mota Oliveira, ressaltou a importância da colaboração entre instituições neste momento de luto. “Estamos em uma data festiva em que muitas dessas pessoas tinham planos de passar o Natal com seus familiares, mas infelizmente foram vítimas desse desabamento. Neste momento de dor é fundamental que haja celeridade nos trabalhos de identificação para que os corpos sejam liberados e as famílias e os amigos possam se despedir”, disse o secretário.
As buscas no Rio Tocantins, conduzidas por uma equipe de mergulho composta por bombeiros militares do Tocantins e do Maranhão e liderada pela Marinha do Brasil, avançaram na quarta-feira, 25. Duas vítimas foram encontradas por volta das 16h30 e levadas ao Núcleo de Medicina Legal para os exames necessários à identificação e posterior liberação. Entre as vítimas encontradas está o corpo de um homem, já resgatado da cabine de um caminhão DAF carregado com MDF, e o de uma mulher. Até o momento, seis mortes foram confirmadas, e outras 11 pessoas continuam desaparecidas.

Análise já apontava problemas, mas a estrutura não foi reformada e nova licitação para reconstrução será realizada

Buscas foram retomadas na tarde desta quarta-feira, 25

Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico divulgou nesta terça-feira, 24, uma nota oficial abordando as consequências do acidente da ponte sobre a BR-226

Procedimento foi aberto para monitorar consequências ambientais, sanitárias e logísticas do desastre ocorrido no rio Tocantins

Em caso de descumprimento, multa de R$ 100 mil diários será aplicada

Caminhões com ácido sulfúrico foram encontrados intactos ainda na segunda-feira

Dnit disse que iniciou sindicância e declarou situação de emergência após desabamento da ponte que liga Estreito (MA) e Aguiarnópolis (TO); governo e entidades oferecem solidariedade e apoio jurídico às vítimas

A tragédia ocorrida na Ponte Juscelino Kubitschek de Oliveira, na BR-226, que liga os estados Tocantins e Maranhão, inaugurada ainda durante o governo de JK, há mais de seis décadas, representa mais um capítulo em uma história de descaso e negligência com o Norte e Nordeste do Brasil. O colapso da estrutura, que resultou na morte confirmada de uma pessoa e no desaparecimento de pelo menos 16 outras, evidencia uma tragédia evitável e, pior, anunciada há décadas.
O desabamento da ponte na véspera das festas de Natal e Ano Novo torna essa tragédia ainda mais dolorosa. As vítimas e desaparecidos não eram apenas números, mas pais, mães, filhos e amigos que tinham lares para voltar, mesas para compartilhar e famílias que os aguardavam para celebrar mais um ano. Em uma época em que muitos se reencontram após anos de distância, essa tragédia transforma o que deveria ser um momento de união e alegria em um cenário de perda, incerteza e dor.
Submersos nas águas do Rio Tocantins, além de vidas, estão veículos carregados de substâncias perigosas, como ácido sulfúrico e agrotóxicos, que colocam em risco a saúde e a subsistência de pelo menos 1 milhão de pessoas dos dois estados. Os efeitos dessa contaminação já são sentidos: o abastecimento de água foi suspenso em diversas cidades, e o consumo do rio foi desaconselhado pelos estados.
A precariedade da infraestrutura não deveria ser uma surpresa; especialistas e usuários apontavam, há anos, a necessidade de reparos na ponte, uma obra essencial e abandonada pelo poder público federal. Conforme a população do Bico do Papagaio, o único reparo que a ponte teve ocorreu no segundo mandato do presidente Lula. A população reafirmou que não há histórico de manutenções antes ou depois desse período.
Além do impacto regional, a tragédia ecoa um cenário nacional de desigualdade: quando desastres semelhantes ocorrem no Sul e Sudeste, a mobilização política, os recursos e a cobertura midiática são imediatos e abrangentes. Entretanto, os problemas enfrentados pelo Tocantins e Maranhão parecem relegados ao esquecimento. A resposta tardia destaca o que moradores do Norte e Nordeste já sabem há anos: suas vidas têm menos peso no tabuleiro político do Brasil.
Agora, além das buscas pelos desaparecidos e da remoção dos escombros e veículos submersos, é imperativo que a reconstrução da ponte venha acompanhada de garantias concretas de segurança, manutenção e monitoramento. Mais do que nunca, a população exige que essa tragédia sirva de marco para uma nova postura em relação à infraestrutura nas regiões Norte e Nordeste — uma dívida histórica que o país não pode mais ignorar.