Prefeitura de Lagoa do Tocantins pagou R$ 57 mil em 2026 a empresa investigada por fraude fiscal de R$ 26 milhões
03 julho 2026 às 16h03

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A Prefeitura de Lagoa do Tocantins pagou R$ 57.248,36 em 2026 à Vital Comércio de Alimentos Ltda., CNPJ 42.099.272/0001-30, empresa apontada pela Polícia Civil como uma das utilizadas em um suposto esquema de sonegação fiscal que teria causado prejuízo de R$ 26,4 milhões aos cofres do estado.
Os pagamentos foram identificados pelo Jornal Opção Tocantins em levantamento realizado no Portal da Transparência do município. Os registros mostram que, entre janeiro e maio deste ano, a empresa forneceu materiais de limpeza, produtos de higienização, gêneros alimentícios, utensílios e materiais de construção para secretarias municipais e para o Fundo Municipal de Educação.
A Operação Vital foi deflagrada no último dia 26 de junho pela Divisão Especializada de Repressão a Crimes Contra a Ordem Tributária (DRCOT). Segundo a Polícia Civil, o grupo investigado utilizava empresas sediadas em Gurupi para concentrar passivos tributários, ocultar os verdadeiros responsáveis pelas operações comerciais e deixar de recolher ICMS. As investigações apontam que essas empresas realizavam compras interestaduais de grande volume, mas deixavam deliberadamente de transmitir a Escrituração Fiscal Digital, documento obrigatório para o controle da arrecadação do imposto.
Embora a Secretaria da Segurança Pública não tenha identificado nominalmente as empresas no release da operação, o Jornal Opção Tocantins apurou, a partir da decisão judicial que embasou a investigação e da documentação do caso, que uma delas é a Vital Comércio de Alimentos Ltda., o mesmo CNPJ que figura como fornecedor da Prefeitura de Lagoa do Tocantins.
As investigações apontam que a empresa estava registrada em nome de Moisés Gonçalves de Souza, identificado como sócio-administrador. Conforme a apuração policial, ele exerce a profissão de motorista de caminhão e apresentaria padrão de vida incompatível com o capital social de R$ 500 mil atribuído à empresa. A Polícia Civil também sustenta que a Vital funcionaria em um “galpão de fachada” em Gurupi, sem movimentação efetiva de cargas, e que integrava uma estrutura criada para ocultar os verdadeiros responsáveis pelas operações comerciais mediante a utilização de pessoas interpostas, os chamados “laranjas”.
Os documentos consultados pela reportagem mostram que a Vital foi contratada pelo município por meio de credenciamentos públicos, para material de limpeza, os pagamentos citam o Credenciamento nº 003/2025 e para materiais de construção, os registros apontam o Credenciamento nº 005/2025. Os empenhos estão vinculados principalmente à Secretaria Municipal de Administração, Planejamento e Governo e à Secretaria Municipal de Obras, Infraestrutura e Desenvolvimento Urbano. Parte dos pagamentos foi realizada com recursos de transferência especial estadual oriundos de emenda parlamentar.
Os registros indicam o fornecimento de itens de consumo e manutenção, entre eles água sanitária, álcool em gel, detergentes, desinfetantes, papel higiênico, copos descartáveis, sacos para lixo, vassouras, rodos e outros materiais de limpeza, além de cimento, tijolos, tintas, tubos de PVC, telhas, portas, torneiras, vergalhões e demais materiais de construção destinados à manutenção de prédios públicos.
Até o momento, não há qualquer indicação da Polícia Civil de que os contratos firmados entre a Prefeitura de Lagoa do Tocantins e a Vital Comércio de Alimentos Ltda. integrem o esquema investigado na Operação Vital ou sejam alvo de apuração específica. O fato revelado pelo Jornal Opção Tocantins é que o mesmo CNPJ apontado nas investigações da Polícia Civil figura como fornecedor da administração municipal em 2026.
A reportagem procurou a Prefeitura de Lagoa do Tocantins, por meio do prefeito Leandro Soares, para saber se o município pretende revisar os contratos ou adotar alguma medida administrativa após a deflagração da Operação Vital e se recebeu integralmente os produtos contratados. Até o momento da publicação dessa matéria a manifestação não ocorreu. O espaço segue aberto para manifestação.
