A repercussão da charge publicada pela Folha de S.Paulo neste sábado, 9, que utilizou a imagem de uma lápide para ironizar a remuneração da magistratura, levou o Ministério Público do Tocantins (MPTO) a divulgar nota pública de repúdio. O órgão afirmou que “não pode admitir o desrespeito e ironia diante da perda de uma vida”.

A publicação ocorreu poucos dias após a morte da juíza Mariana Francisco Ferreira, do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul. Ela tinha 34 anos e morreu após complicações decorrentes de um procedimento ligado à fertilização in vitro, realizado no interior de São Paulo.

Na nota, o MPTO declarou solidariedade à magistratura e a órgãos do sistema de Justiça que também se manifestaram sobre o caso. O órgão ressaltou que respeita a independência da imprensa, dos veículos de comunicação e de colunistas de opinião, mas afirmou que o episódio exige “sensibilidade, humanidade e respeito”.

O texto divulgado pelo Ministério Público destaca ainda que a morte da magistrada ocorreu em uma semana marcada pela proximidade do Dia das Mães, circunstância que ampliou a repercussão da publicação entre integrantes do Judiciário.

A charge também provocou manifestações do Supremo Tribunal Federal (STF), do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) e da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), que criticaram o conteúdo e defenderam responsabilidade no debate público diante do contexto de luto.