Kátia Abreu e Laurez Moreira estarão formalmente do mesmo lado na eleição presidencial, mas a campanha tende a parar por aí. A ex-senadora, coordenadora da campanha de Lula no Tocantins, tem dito a interlocutores que o candidato do PSD ao governo é o palanque do presidente no estado. Isso, porém, não significa participação na campanha de Laurez. A movimentação de Kátia está concentrada em Lula, sem agenda conjunta ou demonstrações públicas de empenho pela candidatura estadual.

A distância ficou mais perceptível nas últimas semanas e teve um sinal público na própria largada da campanha. Kátia não participou da convenção de PSD e PT, realizada em 4 de agosto, que homologou Laurez Moreira ao governo e Paulo Mourão ao Senado. No mesmo dia, divulgou uma nota, mas não esteve no evento que formalizou a chapa. Nas manifestações públicas e no material divulgado desde então, Lula ocupa praticamente todo o espaço, enquanto Laurez não aparece. O episódio envolvendo Irajá Abreu acrescentou desgaste à relação política. O senador desistiu da reeleição depois de uma disputa interna no PSD que envolveu também o espaço reservado ao PT na chapa. O partido decidiu lançar Paulo Mourão ao Senado, enquanto o desenho defendido por Irajá previa uma composição diferente. A questão partidária terminou, portanto, com o filho de Kátia fora da disputa e com Laurez mantido na aliança com os petistas.

Kátia, por sua vez, monta uma campanha presidencial que pretende funcionar independentemente das candidaturas ao governo. Já conversou com prefeitos que apoiam Lula e trabalha com um universo de cerca de 40 gestores municipais, sem exigir deles compromisso com Laurez. A próxima etapa deve alcançar vereadores e lideranças jovens. A lógica é reunir o eleitorado lulista onde ele estiver, inclusive entre aliados de candidatos adversários do PSD na disputa estadual. Assim, Kátia preserva o reconhecimento formal de que Laurez representa o palanque presidencial, mas não condiciona a campanha de Lula ao desempenho dele.

Para Laurez, a separação deixa uma dificuldade que já apareceu na convenção: aproximar sua própria candidatura da identidade eleitoral de Lula. Mesmo aliado ao PT e com Paulo Mourão na chapa para o Senado, o candidato do PSD ainda faz referências pontuais ao presidente e evita colocar Lula no centro de seu discurso. Sem Kátia dedicada a fazer essa ponte, caberá ao próprio Laurez convencer o eleitor lulista de que é o candidato dessa aliança no Tocantins. Lula terá os dois no estado; o que não deverá ter é Kátia e Laurez percorrendo juntos o mesmo caminho eleitoral.