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Cenários e Opiniões
Reviravolta no transporte público de Gurupi: serviço é adiado mais uma vez

O transporte coletivo na cidade de Gurupi, anunciado como a solução dos problemas da população, vem se tornando com verdadeira novela, estilo roteiro mexicano. Em 19/12/2021, a gestora municipal Josi Nunes (UB) anunciou que, finalmente, o contrato com a empresa Izabely Transportes – contratada para prestar o serviço de transporte público coletivo na cidade – havia sido assinado.

A prefeita se manifestou naquela oportunidade: "Hoje é um dia de conquista para Gurupi e estou muito feliz. A comunidade esperava ansiosamente pelo retorno do transporte coletivo, e agora, com o contrato estabelecido com a Izabely Transportes, estamos mais próximos de tornar essa expectativa uma realidade. É mais um compromisso com o povo de Gurupi concretizado, e tenho certeza de que será um serviço de qualidade para nossa população", pontou.
 
À época, foi dito que a empresa estava sediada em Brasília-DF e que a previsão era iniciar suas operações em fevereiro de 2024, com frota inicial de seis veículos que atenderiam cinco linhas, todos com capacidade para 48 passageiros e equipados com acessibilidade e ar condicionado.

Além disso, foi noticiado que o contrato previa a concessão do serviço pelos próximos 10 anos, podendo ser prorrogável por um período máximo de 35 anos.
A tarifa pública foi fixada em R$ 5,35 (cinco reais e trinta e cinco centavos) para o primeiro ano da concessão. Para viabilizar o serviço, a Prefeitura de Gurupi utilizará o modelo de concessão patrocinada com aporte subsidiário, em que o ente público arcaria com parte dos custos, com fim de reduzir a tarifa para a população.

Suspensão dos Serviços
 
Menos de 48h depois do anúncio, em 21/12/2023, um retrocesso. Uma operação policial no distrito federal contra os proprietários da empresa forçou o ente municipal a suspender a execução do contrato. “A suspensão se dá devido os proprietários da empresa estarem envolvidos em investigação policial no Distrito Federal, deflagrada na quarta-feira, 20. A Ordem de Serviço permanecerá suspensa enquanto estiverem sendo realizados os estudos jurídicos que irão embasar a decisão definitiva sobre essa contratação”, relatou a Nota Oficial da Prefeitura de Gurupi.

Atraso no início da prestação de serviços

Na segunda-feira, 19/02/2023, novo capítulo da história. Um comunicado do ente público municipal pontua que “houve um atraso na entrega dos veículos adquiridos pela empresa responsável pelo serviço de transporte coletivo no Município. Devido a este contratempo, o início do serviço, previsto para esta terça-feira, 20, não ocorrerá conforme estava programado”. A nota ainda informa que a empresa explicou que os veículos estão a caminho de Gurupi para serem devidamente vistoriados e liberados para a prestação do serviço e que um novo cronograma para o início das atividades será reprogramado e comunicado em breve à população.

Enfim, o que era para ser uma solução, tem se transformado em um problema. A Prefeitura Municipal tem demonstrado boa vontade de atender a população que necessita do transporte coletivo, tendo seguidos os trâmites legais e licitatórios para a concessão do serviço público. Entretanto, a série de desdobramentos e problemas que a empresa tem apresentado deixa a comunidade apreensiva. Se já houve tantos problemas antes mesmo de iniciar o serviço, a perspectiva não é boa quando ele estiver sendo executado. Essa sensação de constantes surpresas gera dúvidas e coloca a qualidade do serviço na berlinda.

Raio-x 2024: o cenário político das duas maiores cidades do Tocantins

Com a proximidade da janela partidária prevista na lei eleitoral para o mês de março, vários pré-candidatos já se movimentam para encontrarem siglas partidárias confluentes com suas ideias e interesses. É natural que as articulações sejam intensas nos bastidores, afinal, qualquer um dos candidatos a prefeito que forem eleitos em 2024, precisam contar com fortes bases de sustentação nas casas legislativas. 

Porém, esta abordagem trata das eleições majoritárias. A capital Palmas é o maior colégio eleitoral do Estado com mais de 200 mil eleitores. A única, portanto, que poderá ter segundo turno de votação. No páreo, o Professor Junior Geo (sem partido), candidato natural ao cargo, uma vez que foi o segundo colocado no pleito de 2018. O deputado tem um eleitorado segmentado e precisa expandi-lo. Sua alternativa, portanto, é “sair da sala de aula”, logicamente, sem perder as características que lhe alçaram ao parlamento.

Apoio da Prefeita Cinthia Ribeiro

Prefeita de Palmas, Cinthia Ribeiro (Foto: Edu Fortes/Secom)

Traçando um esboço do que pode acontecer, Geo teria uma vantagem que o colocaria dois passos à frente dos concorrentes: considerando a impossibilidade da atual ocupante - Cinthia Ribeiro (PSDB) - não poder se reeleger, é provável que ela apoie o próprio Geo, cujo eleitorado é muito semelhante ao dela: o funcionalismo público. Aliás, ela já provou essa força junto a eles, quando conseguiu “transferir” votos dos servidores municipais para o seu esposo Eduardo Mantoan (PSDB), atualmente no exercício do mandato de deputado estadual.

Além disso, pelo histórico de desentendimentos e outras circunstâncias, é difícil crer que – em condições normais – a gestora se posicione ao lado de Carlos Amastha (PSB) ou Janad Valcari (PL), ambos seus desafetos. A bem da verdade, Geo é a melhor escolha para Cinthia, não apenas porque tem, comprovadamente, votos em Palmas, como também, já acenou com a bandeira branca da paz, além de não promover “caça às bruxas”, caso seja eleito. Ao mesmo tempo, para o Geo, o cenário ao lado de Cinthia – que traria toda estrutura da máquina administrativa e muitos aliados, formando um forte grupo político – também lhe favorece muito. Dessa forma, a dupla se completa pelos interesses mútuos.

Janad Valcari e Amastha vão de 8 a 80 num piscar de olhos

A deputada estadual Janad Valcari e o ex-prefeito Carlos Amastha são dois candidatos que possuem territórios marcados e votos declarados. Há um verdadeiro entusiasmo quando se fala com eleitores de qualquer um dos dois, sobre suas posturas ou realizações. Eles ainda podem angariar muitos votos com decorrer do processo, principalmente daqueles eleitores insatisfeitos com a atual gestão. Porém, não há como negar o grande percentual de eleitores que os rejeitam. Isso atrapalharia demais, qualquer um dos dois, num eventual segundo turno.

A deputada liberal tem um grupo político sólido, mas há um fragmento real: não conta com o apoio de deputados originalmente eleitos por Palmas. Já o ponto fraco do ex-prefeito é sua dificuldade de formar grupos, bastando para tanto, analisar as quatro últimas eleições que disputou: dois turnos da eleição suplementar de 2018, a eleição ordinária para governador (também em 2018) e a eleição para senador em 2020, passando pela fatídica “rasteira” em Vanderlei Luxemburgo.

Eduardo, Vanda e Roberta contam com eleitores de diferentes perfis

Quanto a Eduardo Siqueira Campos, ainda não demonstrou condições de formar um grupo político forte, capaz de alavancar seu nome nas enquetes e pesquisas. Seu partido, o Podemos, tem como presidente o ex-deputado federal Tiago Dimas, cuja força em Palmas é pequena. Seu colégio eleitoral está em Araguaína e região, havendo pouca influência na capital.

No que concerne à pré-candidata Vanda Monteiro (UB), é fato que tem prestígio e votos cativos na capital, aliás, foi eleita com essa base eleitoral. Contudo, ainda enfrenta problemas partidários internos – especialmente com o deputado Carlos Gaguim – dos quais ela precisa se livrar para viabilizar sua candidatura.

Já a jornalista Roberta Tum (PCdB) provavelmente representará a esquerda, aliada ao PT e ao PV. A deputada Claudia Lelis (PV) é um nome de peso nesta campanha, uma vez que seu eleitorado se concentra, na sua maioria, em Palmas. Todavia, ainda falta musculatura política e mobilização da militância. Ainda há tempo para que isso ocorra. Qualquer avaliação, neste momento, é precipitada sobre essa candidatura. 

O fiel da balança

Por fim, é preciso dizer que o fiel da balança pode ser o governador Wanderlei Barbosa (REPU). Ele goza de popularidade junto à população palmense – composta por muitos servidores públicos – e sua escolha pode influenciar em demasia na disputa municipal. A questão é: Barbosa vai realmente escolher um lado ou vai ficar neutro? A segunda hipótese lhe traz prejuízos para 2026. Entretanto, a hipótese de ser apenas observador não está descartada. 

Araguaína dividida entre o favorito, o adversário de peso e o azarão

Na segunda maior cidade do Tocantins, a disputa se afunila, visto que não haverá segundo turno, ou seja, quem tiver mais votos em 06 de outubro, leva. O cenário se diferencia de Palmas, porque o atual prefeito tem a possibilidade de se reeleger. Wagner Rodrigues (UB) conta o apoio da senadora Professora Dorinha Seabra, como também do PSDB de Cinthia Ribeiro. Suas raízes estão ligadas a Ronado Dimas, ex-prefeito da cidade por dois mandatos. A sua própria gestão é avaliada entre boa e ótima pela população, fruto de obras infra-estruturantes e cumprimento de compromissos políticos. É forçoso reconhecer que Wagner tem popularidade junto ao eleitorado. 

Frederico tem apoios de peso

Para o deputado estadual e pré-candidato a prefeito, Jorge Frederico (REPU), não será nada fácil lutar contra a máquina comandada por Rodrigues, mesmo contando com o apoio do governador Wanderlei Barbosa, o líder do seu partido. Frederico ensaia essa candidatura há muito tempo e está preparado politicamente para o enfrentamento. É um democrata e tem folha de serviços prestados em benefício do norte do Estado. Conta com lideranças da região nessa tarefa, além de reconhecidos políticos de peso da região. É preciso pontuar que a oposição em Araguaína tem marcado território, como também, que existe – ao tempo e ao modo – uma parte do eleitorado insatisfeita com a gestão que tende votar com a oposição.

Governador Wanderlei Barbosa | Foto: Antônio Gonçalves

Após articulação dos caciques da sigla – Baleia Rossi e Jader Barbalho – o novato deputado federal Alexandre Guimarães (REPU) ensaia migrar o MDB, liderá-lo no Tocantins no lugar de Marcelo Miranda e, de quebra, disputar a prefeitura de Araguaína. Contudo, até por ter sido eleito em 2020 pelo mesmo partido de Frederico e haver uma certa “camaradagem”, o mais provável é que apoie o candidato republicano e traga, na mochila, o MDB junto.

PT de Célio Moura é o azarão, mas pode renascer como Fênix

Com a ascensão de Lula à presidência, o PT se renovou e, certamente, vai tentar marcar território com a candidatura do ex-deputado federal Célio Moura. É fato notório que o ex-parlamentar tem trabalho prestado junto aos assentamentos, pois contribuiu muito com a agricultura familiar durante seu mandato (2018 a 2022). O problema é que esses colégios eleitorais não estão localizados apenas em Araguaína, mas sim espalhados por todo Estado. Desta forma, Moura precisa se reinventar, caso queira entrar, definitivamente, na disputa entre Wagner e Frederico. 

Neste cenário, os posicionamentos do governador Wanderlei Barbosa, do ex-prefeito Ronaldo Dimas, como também, da executiva nacional do partido dos trabalhadores (PT) poderão influenciar diretamente no resultado da eleição neste município.

A falta de competência pode ter salvado a República

Bonny Fonseca

A operação Tempus Veritatis, da Polícia Federal, que atingiu todo o núcleo duro do entorno do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), foi a peça que faltava para dar visibilidade à dimensão de um quebra-cabeça obscuro que arquitetou um golpe contra o Brasil pelos ditos “patriotas”.

É importante ressaltar que a peça central da operação desta quinta-feira, 8, é um vídeo, que a PF afirma que tem posse, de uma reunião entre o ex-presidente, com Anderson (ex-ministro da Justiça), general Augusto Heleno (ex-Chefe do Gabinete de Segurança Institucional), Mário Fernandes (então Chefe-substituto da Secretaria Geral da Presidência), e Walter Braga Neto(ex-ministro da Defesa). 

Quem seria tão “inteligente” ao ponto de gravar uma reunião da alta cúpula do governo de deixar arquivado em casa? 

O material foi apreendido em uma busca na casa do ajudante de ordens de Bolsonaro, tenente Mauro Cid. De acordo com as investigações da PF dão conta de que a reunião se trata do arranjo da dinâmica golpista. 

No vídeo, Bolsonaro pediu para Torres os ataques de credibilidade ao sistema eleitoral. Heleno disse aos presentes que conversou com o diretor-adjunto da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) “para infiltrar agentes nas campanhas eleitorais”. A transcrição mostra que o general foi calado por Bolsonaro, que pediu que o tema fosse tratado apenas com ele. 

O pequeno Heleno também diz que é necessário os órgãos de governo atuarem pela vitória de Bolsonaro nas eleições de 2022. 

“Não vai ter revisão do VAR. Então o que tiver que ser feito tem que ser feito antes das eleições. Se tiver que dar sono na mesa é antes das eleições. Se tiver que virar a mesa é antes das eleições”, disse Heleno no vídeo. 

A intenção era acabar com a República, porque eles são patriotas. Não existe raciocínio lógico. Se é vermelho, de esquerda ou depõe contra a direita (e não precisa nem ter todos esses ingredientes junto).

Todos esses absurdos não são sobre direita ou esquerda, comunismo ou neoliberalismo. São sobre uma nação onde não cabe mais a imposição da força ao poder estabelecido de forma constitucional. 

Diante do pensamento primitivo, talvez a incompetência tenha salvado a República. 

Faltou Dizer
População precisa fazer sua parte na luta contra a dengue, inclusive cobrar ações das prefeituras

Nós sabemos que não faltou dizer e que já foi dito milhares ou milhões de vezes, mas não custa lembrar o que vamos falar aqui. A responsabilidade não é apenas do poder público, é também de cada cidadão.

Por que o brasileiro percebe aumento na corrupção?

A forma como o país desfaz erros importa. Por mais que a Lava Jato tenha sido falha, nem as empresas, nem Toffoli negaram os bilhões em corrupção

O ego é um mal secular ou é necessário para a sobrevivência?

*Cynthia Pastor (editora do Jornal Opção Entorno)

Existem “adultos” que sofrem de um egoísmo latente e crônico, que se traduz muitas vezes em falta de responsabilidade com os outros, falta de maturidade, além de uma arrogância (que os protege) quase sem limites. Lidar com um adulto “egoico” significa dar de cara, sobretudo, com a falta de empatia. É um desafio para poucos, talvez, para domadores de leões, psicólogos, psiquiatras ou, até quem sabe, exorcistas!

O egoico sempre vai priorizar a sua agenda e suas opiniões em praticamente tudo: na vida pessoal e afetiva, na vida profissional, nas amizades, na família. Pirão? É sempre o dele primeiro e a decisão final também. Não é uma pessoa democrática, não é uma pessoa empática, não é uma pessoa com abordagem antropológica sobre os outros mundos e pessoas. Não é uma pessoa aberta ao diálogo colaborativo, mas, sim, uma espécie de “colonizador” que chega atirando suas prioridades e regras bem definidas em qualquer território que adentre.

E há os codependentes tolos (aquelas pessoas que topam desempenhar o papel de salvadores ou ajudadores dos egoicos) e que se sentem capazes de transformar os seres egoicos em gatos mansos e até mesmo idealizam uma relação perfeita com eles, sonham com ela, avessos à real impossibilidade de construir um castelo com areia movediça. Uma relação com um egoico é forjada numa estrutura em que o outro acaba submetido a abusos morais comuns no discurso e nas atitudes do egoico.

Em geral, o termo “egóico” carrega em sua essência uma conotação negativa. O ego um dia descrito por Sigmund Freud é frequentemente observado de fato como uma fonte resultante de problemas psicológicos, que vão da ansiedade à depressão e à baixa autoestima. Porém, Jacques Lacan, discípulo de Freud que discordava do “mestre” e que, a partir daí, desenvolveu sua própria teoria psicanalítica, explica que o inconsciente é estruturado como uma linguagem e, por isso, o egoico é resultado de uma estrutura alienada.

Como assim? Lacan descreve que, neste caso, a estrutura da pessoa egoica não é construída a partir da identificação com o outro, mas sim como algo que é imposto à criança por uma cultura, por uma sociedade ou por uma família. Ou seja, o comportamento do egoico é, sobretudo, resultado de uma estrutura psíquica que se forma a partir do desenvolvimento da criança e da sua relação com seu primeiro “Outro”, que geralmente é a mãe ou alguém que cumpra este papel. O que a criança leva para a vida são as normas e valores internalizados a partir dessa relação inicial para que se sinta segura e, a partir daí, formam-se os sintomas neuróticos.

Há que se observar ainda que existem dois pesos e duas medidas, ou seja, uma pessoa com um lado egoico muito fraco pode ser tímida demais e, talvez, tenha dificuldade em se afirmar, além de ser muito dependente de outras pessoas. Já um egoico master pode ser extremante ditador. Contudo, existem também aqueles egoicos que se comportam de acordo com situações, ou seja, aquela pessoa que pode ter um ego muito forte no trabalho, mas ser um gatinho manso e fraco em casa.

Lendo essa pequena tentativa de esclarecimento filosófico sobre o assunto que não tem nenhuma pretensão de caráter médico e apenas se baseia na diversificada literatura psicanalítica, você, leitor, talvez rememore pessoas e situações descritas neste script, ou até se “enxergue” em alguma “cena” citada. Mas saiba que, para explicar ainda melhor o ego, o pai da Psicanálise afirmou em seus tratados que os mecanismos de defesa existem conforme a organização do Ego e podem gerar reações mais conscientes e racionais. Mas aí já é outro assunto para outro papo!

Lula e Bolsonaro, principais lideranças do PT e PL. | Fotos: Agência Brasil.
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